lundi 18 mai 2009

Les Rencontres Vert Avril - Encontros Verdes de Abril




Nao, nao é um titulo de filme frances… Os encontros verdes de Abril foi uma feira de flores, produtos naturais e derivados du terroir como dizem por aqui, vindos diretamente do produtor. O jeito poético de dizer Feira de Horticultura…
Festejando a tao esperada primavera, foi transferido sabiamente da segunda quinzena de Abril, quando costuma acontecer aqui em Bourg la Reine, para o mesmo periodo de maio. Como o inverno foi bastante rigoroso este ano, todos esperam um verao quente e calorento, mas a primavera esta bem cinza e umida.
Queria falar das minhas impressoes na gostosa, mas chuvosa, tarde de sexta feira, quando aproveitei minha folguinha do Iago para zanzar pela feira, sem pressa…
Escolhi por preço e cheiro, conformada com o pequeno terraço em reforma que possuo no momento, tres pequenos pés de um tipo de geranio perfumado e dois pés de mirra, para nao so embelezar como tambem perfumar minha futura linda varanda. Por enquanto, alguns pes de pepino e tomate cereja vao se enroscando no movel da sala, acompanhados pelo meu quase arbustivo pé de manjericao.
Na feira, havia muitas bancas com flores, decoradas com capim pelo chao, como se estivessemos passeando na fazenda mesmo. Entre as barracas de artesanato tinha uma encantadora, de uma senhora que pintava em folhas secas pequeninos desenhos, desde varais de calcinhas coloridas e fraldas de pano, ate flores e a mamae pata e seus filhinhos. Muito francesinha essa banca… Mas tinha tambem uma cheia de cabaças que se transformaram em abajures, bonequinhos e cortinas de passagem.
Quanto às barracas de deliciosas guloseimas, havia uma de cafe organico, geleias, doce de leite e a de mel, com a maior variedade de mel que ja vi ! Gosto muito de mel com manteiga e pao de manha, e de um molho com mel, manteiga e shoyu para comer com salmao… o rapaz que parecia entender do assunto, oferecia colheres com diferentes consistencias, cheiros e sabores à uma senhora de nariz empinado… colei nela e fui experimentando junto… claro que o gosto dela é bem diferente do meu, cada uma de nos provou e escolheu a seu gosto, mas recebendo as informaçoes do simpatico apicultor, que explicava sorrindo que existem meis leves que caem bem pela manha, outros encorpados cheios de graos que aguçam as papilas gustativas… e eu verificava isso mesmo quando ele contava depois a origem da flor cujo nectar dera tal e tal sorte de mel… Degustaçao deliciosamente calorica essa, mas eu bem que poderia ficar la provando todos os sabores : da Montanha, lavanda, alecrim, flor da floresta, rododendro… muuuuitos tipos diferentes ! Mas ficarei devendo a foto, pois estava passeando sem a maquina…pena, pois poderia ter registrado a cara de pavor da senhora metida, quando revelei que comemos o pao de mel (Pain d’épices) envolto de uma camada de chocolate, o que nao existe por aqui… Por fim, o rapaz me agradeceu em português e parti sorrindo.
Proxima parada : as geleias. Na verdade, aqui as geleias nao tem pedaços de frutas, so as confitures, minhas prediletas… e como as maravilhas que temos ai, de uma variedade incrivel de misturas para comer-se com fromage blanc (uma variaçao de iogurte), com pao pela manha ou como acompanhamento de carnes, estilo chutney… Na banca da « Au dessus, sur l’etagere du haut », ou seja, « em cima, na prateleira do alto », ja gostei de cara da originalidade do nome, voces nao acharam demais ?!!! E mais ainda daqueles vidros simples de geleias, distribuidas para a degustaçao em potes com colheres dobradas de forma a se encaixarem nos mesmos, sabores : maças com gengibre, rhubarbe, abacaxi com kiwi, framboesas, e a bem acidulada que me trouxe ao gosto de infancia da geleia de uvaia preparada pela minha avo, com as frutas colhidas no jardim… E ainda ganhei a receita junto : Ameixas brancas ao vinho branco e mel.
Depois voltei com o Iago para mostrar os animais da fazenda que estavam expostos : uma vaca, cabras e bodes, galos e galinhas, coelhos e patos; mas ele ficou muito desconfiado com a cabeçorra da vaca que ruminava à sua frente, acho que nao vai mugir por um bom tempo… o Iago, nao a vaca… Na verdade, ele abriu um baita sorriso com a lesma que caminhava sobre seu prato de sobremesa ontem à noite… talvez se simpatize com bichos menores, hehehe.

vendredi 8 mai 2009

Passeando pelo cemiterio



Meu ultimo passeio com minha mae foi ao cemiterio Père Lachaise, em Paris.
Voces podem se perguntar o que fomos fazer num cemiterio no seu ultimo dia comigo…Atendi finalmente um pedido que me fizera ha 5 anos, quando morei no bairro 20 em Paris, bem proximo ao cemiterio : ver o tumulo do Allan Kardec.
Questoes relacionadas à vida e à morte vem à tona quando se decide fazer um passeio como esse. Destino de muitos e futuramente nosso tambem, faz brotar um sentimento diferente, de igualdade, fraternidade, respeito.
Passeio esquisito ir ao cemiterio; ate deixou minha mae mais séria. A chegada ate la ja valeu o trajeto naquele lindo primeiro de maio de ceu azul. Pegamos uma das minhas linhas preferidas, a linha 2, que cobre parte de Montmartre, onde foi gravado o filme de Amelie Poulain, meu preferido. Ha um trajeto externo neste trecho, com curvas, que passa pelo Canal Saint Martin, um canto mais cool e popular de Paris. Mesmo aqueles que circulam nestes trens : uma mistura de imigrantes residentes nos bairros ao redor da linha e turistas… convivem na diversidade, cada um seguindo seu destino.


Bem, o nosso, nesse dia, era a estaçao Père Lachaise do metro. Moradia de ex-astros e estrelas muito conhecidos, ao menos seus ossos… ele atrai muita gente. Alguns buscam as esculturas feitas por renomados artistas, outros as belas e frondosas centenarias arvores que ali habitam; enquanto outros procuram os tumulos das celebridades como Jim Morrison e Edith Piaf, talvez para se aproximar ao maximo de um idolo, ou do que restou deles em Terra, ou simplesmente por curiosidade. Minha mae é espirita, e sabia que naquele cemiterio se encontravam somente os restos de Allan Kardec, pai do espiritismo, entao, num misto de curiosidade e busca da celebridade, seguimos pelas alamedas atras de sua tumba escondida.




« Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem parar, de acordo com a lei. »
« Naitre, mourir, rennaitre encore et progresser sans cesse telle est la loi. »
Parei diante do texto e do tumulo rodeado de flores, li, reli, concordei e fotografei-o. Ai entao, surpreendi-me por ser exatamente o lugar que procuravamos ! Se nao fosse assim, acho que nao o encontrariamos… Um busto de um homem e seus feitos, descritos na lapide para sempre, diferente de seus restos mortais, que serao reabsorvidos pela vida, com o tempo.
Nao so os restos dele, que sugeriu que o espirito empreende mais viagens do que podemos imaginar, mas de todos os outros que estao lado a lado no cemiterio. Alguns, com lapides decoradas com vitrais que faziam alusao à Cristo, Nossa Senhora, e outros santos, como se a morte pudesse aproxima-los. Disso, pouco sabemos…
Mas todos, vangloriados e glorificados pelos seus feitos em vida : generais, artistas, pintores, cantores, jamais pelo seu carater humano : generoso, altruista, humilde.
O que é mais significativo de ser colocado em lapide ? O que se fez ou o que se foi ? Todos, mesmo o pior dos mortais, teve la suas virtudes… o que deve ficar marcado em algum lugar, de alguma forma, em cada um de nos. Por que ressaltar feitos e fatos e nao a atitude diante da vida ?
Seja la o que eu fizer, quero ver escrito no meu tumulo : mae dedicada, de poucas ambiçoes e muitos queridos !
E tenho dito.

Busca indefinida


Depois de dois meses sem escrever aqui, decidi me impor uma disciplina em relaçao ao meu blog, escrevendo uma vez por semana, visto que assunto nao falta…
Meus pais passaram tres semanas conosco, e viajamos para lugares lindos, passando otimos momentos juntos, assunto para muitos textos. Antes deles chegarem, todos meus tres rapazes se revezaram na Catapora… Catapora chique, francesa !
Falando em França, meu blog em frances "Les mystères de Sao Paulo" (http://ciceronebrasilfrance-crys.blogspot.com) esta com uma boa divulgaçao, o que me deixa bem contente, sinal de que o que venho fazendo é justo, quero dizer, vai de acordo com o que eu vivi o que me permite escrever algo. Uma radio suissa o achou interessante e original, pois eu falo um pouco sobre lugares de Sao Paulo que conheço e descrevo o lugar relacionando-o com a experiencia que tive la. Um site que seleciona blogs (http://www.paperblog.fr) tambem me convidou para participar de sua seleçao, que faz uma triagem nos blogs de qualidade que circulam por ai.
Conversando esses dias com meu pai, falavamos sobre isso, sobre falar sobre as coisas com uma propriedade que nao temos, visto que nao a vivemos de verdade, na pele, posiçoes que as vezes afirmamos com uma certeza tremenda, e que é falso, mas ao mesmo tempo insconsciente, visto que nao nos damos conta desse movimento. Se pudessemos neste instante mesmo, que afirmamos o que ciclano e fulano passaram e nao eu, perceber o tamanho da bobagem que estamos dizendo… seria um balde de agua fria, mas nos faria pensar um pouco antes de sair dizendo qualquer coisa.

Mas por que falamos tanto, sobre tanta coisa que nao sabemos ?

Sera que queremos criar uma imagem de nos mesmos de sabedoria e conhecimento ?

Sera que temos consciencia de que quanto mais afirmamos uma infinidade de « eu acho », mais perdidos estamos ?

Afinal, o que procuramos ?

lundi 2 mars 2009

Reencontros e despedidas



Despedida é sempre aquela coisa, da um no na garganta, uma vontade de chorar, de agarrar aquele que esta indo embora e abraçar, abraçar, abraçar ! Agradecimentos, desejos de boa viagem e aquele clima esquisito e silencioso em casa apos a partida. Foi assim também com a Silvia, o Fernando, o Guto e a Lila. E como nevava naquela manha de segunda feira…
La pelas 15 horas, escrever um e-mail lindo, agradecendo e pedindo desculpa por qualquer coisa - eis que a resposta vem com um telefone a dali ha algumas horas : - Os voos foram cancelados !!! Você aceita a gente de volta ?!!!
E depois de terem passado o dia no aeroporto, la estavam eles de volta, de mala e cuia, no ja entao Lar Doce Lar deles também…Assei a segunda Gallette des Rois naquela noite. Ops, pausa para explicaçoes sobre o que é uma Galette des Rois :
Se trata de um bolo de massa folheada, com recheio de amêndoas moidas, manteiga e açucar, mais conhecido como frangipane. Tradicionalmente comido no dia de Reis, 06 de Janeiro, é envolvido de um ritual, que pelo que sei funciona assim : o mais novo da casa entra embaixo da mesa e, enquanto alguém parte o bolo em fatias, denomina para quem vai cada uma delas. Como o Iago ainda nao fala, nem tem discernimento de escolher para quem vai cada fatia da gallette (mesmo porque acho que ele, se pudesse, ficava com todas), Ariel sempre vai para baixo da mesa e elabora as mais incriveis estratégias para tentar ficar com a fève, a parte divertida da comilança toda. Essa fève é uma pequena peça de porcelana colocada dentro da gallette antes dela ser fechada. Assim, é recomendado muito cuidado e uma delicadeza francesa no comer para nao se quebrar um dente… aquele que receber a fève em seu pedaço é o Rei da noite. Ainda nao descobri as vantagens disso, mas o Ariel esta sempre pronto a tomar todas as medidas possiveis para ficar com elas, ja sabotou uma vez, ficando com o pedaço do Celio e criou a regra de que o rei tem direito a um pedido. Descobrimos naquela noite que o pedido da ultima gallette havia sido atendido, eles nao tinham conseguido ir embora… mistérios da vida e da força das crianças ! Apos idas e vindas, contabilizamos ao menos três gallettes compartilhadas e três reis distintos !
No dia de Reis, la foram os cavaleiros novamente ao Campo de Batalha em busca de um lugar no proximo voo para a Italia. Batalha terminada, mas nao completamente vencida - retornaram novamente com as malas, ja musculosos de carrega-las - mas animados com o voo marcado. Tao animados que tiveram pique ainda de ir à Paris espairecer, caminhar na Champs Elysées, dar mais uma espiadinha na Torre Eiffell e… fazer um jantar maravilhoso de despedida !
A Silvia, mae de todos, nos preparou um assado de carne de porco que desmanchava, acompanhados de batatas ao creme e arroz selvagem… um deslumbre ! E ainda brindamos, por mais esta noite, sabendo que as pequenas rasteiras do cotidiano nao devem abalar o astral de uma viagem tao intensa. Sera mais uma boa historia pra contar…
Por fim, la foram eles, destemidos, voar rumo à Italia - do charme parisiense às pedras romanas !
E ainda nos sonhos nos encontramos mais algumas vezes, sabendo que temos um futuro encontro em outro lugar…

dimanche 22 février 2009

Os prazeres da boa mesa e da boa companhia.







Receber os amigos é ao mesmo tempo agradavel e imprevisivel, ainda mais se eles se hospedarao em nossa casa por um tempo. Expectativas e questoes praticas surgem, sera que o colchao sera mole demais, ou a coberta muito quente; e se formar fila no unico banheiro ? Preparativos em ordem e a tentativa de prever os imprevistos. Eis que se seguem muitas surpresas enriquecedoras. Durante o mesmo periodo em que o Celio e a Marcia estiveram aqui em casa, durante as Festas de Natal e Ano Novo, recebemos uma querida familia, Fernando, Silvia, Guto e Lila. As crianças estudaram na Agora com os meninos, e o Guto vinha tantas vezes em casa que ja era mais um filho... Viemos para a França ha exatamente um ano, dia 21 de fevereiro de 2008, e a Silvia veio se despedir com as crianças e um bolo para que o Guto festejasse seu aniversario com os grandes amigos; quanta sensibilidade e carinho de mae !
Desde o momento em que chegaram, durante a viagem que fizemos aos Alpes, até as repetidas despedidas... pudemos compartilhar de momentos muito descontraidos e divertidos em torno de uma boa mesa.
Fernando tentava descobrir e se aventurar com algumas iguarias disponiveis no supermercado proximo a nossa casa : salmoes e trutas defumadas, seus molhos de acompanhamento, os queijos franceses, italianos (gorgonzola com mascarpone sobre uma fatia de maça Golden, unh !) e uma infinidade de tipos diferentes de salame e presuntos crus, mais curtidos, mais suaves... os quais fez questao de experimentar, um a um... Ele, se supria dessa fartura e nos, nos deixavamos levar pela sua companhia leve e divertida, recheada de um bom humor do "caipira refinado" mais gente boa que ja conheci. Toda a sua tranquilidade interiorana era sempre equilibrada pela gentileza cuidadora da matriarca da familia, Silvia, embelezando e poetisando cada pequeno instante que estivemos juntos. Momentos sempre regados à bons vinhos e à troca de conhecimento e contentamento.
E as crianças ? Sem contar o Iago, borboleteando e saculejando de colo em colo, fazendo batuque com as panelas, mesmo doentinho... nao poderiamos dizer que tinhamos cinco em casa !!! Os meninos, um tanto exageradamente mergulhados no hipnotico video-game e a Lila melhor entretida em seus livros; exagero compensado durante as aventuras na neve... Da relaçao de profunda amizade, o que é importante permanece, e o tempo nao apaga, nenhum tipo de mudança altera. Deu para ver, sentir, ouvir, curtir o amor amigo que existe entre eles.

Entre a mala amarela da Silvia, perdida pela Italia, e os "pitstops" que Fernando e Lila faziam no supermercado para alegrar a mesa com suas guloseimas, foram quase três semanas de intenso convivio.

Nossa festa Natalina nos Alpes também foi incrivelmente despojada e nao menos bem servida. Macarronadas de maes : Silvia nos preparou uma massa cujo molho tinha como base roquefort e pêra com creme de leite fresco e eu parti para o basico sucesso por aqui de bacon, cebolas e creme de leite fresco (derivado do prato Alsaciano Flammekueche)... E, brincando felizes , fizemos um Caça ao tesouro para as crianças, e elas fizeram o mesmo para nos. E cada enigma engraçado que surgia, a gente se divertia, e ria , ria, ria... sera que eles se lembram do enigma que a Silvia tinha que decifrar ? Cheiroso, colorido, comestivel e que faz bem para a saude ? So podia ser o Fernando ?!! Nao, protestaram as crianças, sao as frutas !!! Os prêmios ? Saquinhos de balas !



E com alegria, todos pudemos perceber e sentir o verdadeiro espirito de Natal : a celebraçao da vida, da uniao e do amor maior !

samedi 14 février 2009

Cedendo espaço


A gente vive achando que sabe o que e "ceder espaço".


E uma frase tipica de briga de casal, nao e mesmo ? Mas sera que sabemos mesmo o que e isso ?




A gente tambem vive achando que conhece os outros. Ah, somos da mesma familia, nos conhecemos ha mais de dez anos...Mas a gente so conheça um "bocadinho" de uma pessoa quando ela esta com a gente por um tempo, debaixo do mesmo teto...




E e muito interessante - estressante de inicio e divertido depois - todas as reflexoes que podem surgir deste convivio.


De cara, todas as relaçoes entre os membros da familia mudam. A "pessoa extra" e requisitada na atençao dos pequenos e na preocupaçao reconfortante dos grandes. Ate as cores, os sons e os cheiros do ambiente ficam diferentes. A atmosfera cotidiana da casa composta de algumas substancias recebe uma outra que a modifica claramente. Acho que a harmonia das relaçoes e balançada e reestabelecida apos certos encaixes; encaixes em um espaço invisivel que pode ser dividido em mais e mais pedacinhos... mas e certo que isso leva um certo tempo e testa a flexibilidade de todos...




Na pratica, e a louça que nao e lavada e colocada no mesmo lugar; a vaga na mesa da sala de jantar que tem que mudar, e ai que a gente ve como e bom sentar em outro lugar e ver as coisas de outro angulo; a hora do banho, o que se come no cafe da manha, a disposiçao quando acorda e quando vai dormir (ou quando se passa a noite zanzando)... Oportunidades gigantescas de mudança de habito, de abrir mao de manias mesquinhas sem sentido, e a chance de aprender com a simples existencia do outro.


E o que damos em troca ? So um pequeno espaço !!!


Tanto por tao pouco...




Agora, quanto a conhecer o outro... acabo achando que levarei pelo menos mais uns trinta anos para nao me surpreender neste convivio misterioso, e terei mais chance de conhecer um pouco mais de mim mesma do que quem quer que seja.
Texto dedicado aos meus cunhados Celio e Marcia...

vendredi 13 février 2009

Sao Paulo pelos meus olhos


Escrevendo sobre o meu avo ha algum tempo atras, revivendo em minhas lembranças a memoria dele (texto no blog do Cicerone Brasil http://ciceronebrasil.blogspot.com/ no dia 29 de janeiro), identifiquei na minha historia o meu olhar particular de Sao Paulo : a Sao Paulo vista pelos meus olhos...

Depois de passar 11 anos na mesma escola em Cotia, SP, indo estudar a pe (de vestidao e chinelos no colegial), fui "apresentada" a uma Sao Paulo diferente da casa de minha avo e dos meus parentes da Lapa e da Pompeia.

Apresentaçao dessas meio sem cerimonia, na pressa caracteristica paulistana. Cai de paraquedas no Objetivo de Pinheiros, querendo estudar no meio da fumaceira do Vaticano(sala onde estudavam juntas Humanas, Exatas e Biologicas) - os alunos ainda podiam fumar na sala de aula !...

Indo de onibus para a Paulista assistir as aulas a tarde, passeando no MASP e comendo Mc Chiken... mal sabia que ainda ia zanzar muito por Sampa.

Entrei em Psico no Mackenzie e comecei a dar aulas de informatica. Das passadas pela Praça da Republica, tenho boas peças peruanas; do restaurante chines perto do Largo do Arouche, os melhores rolinhos primavera que ja comi. No onibus entre a Praça da Arvore e a Consolaçao, conseguia espiar entre os cochilos os pedestres da Paulista.

As segundas feiras, descia a rua Veridiana para pegar o metro Santa Cecilia, e la estava Sao Paulo diante dos meus olhos:o contraste numa so rua, predios elegantes de Higienopolis e as habitaçoes mais populares com a proximidade do centro, mais gente, mais vida...mesmo que corrida...

Tantas pessoas entraram e sairam da minha vida naquele tempo, umas que ainda mantenho contato, outras que nao tive mais noticia, mas todas relaçoes de aprendizado que tiveram razao de ser.


Mas tenho uma imagem, como uma foto preferida, daquela epoca... da rua Consolaçao vista do ponto de onibus que dava as costas para um muro do Mackenzie, sentido Centro-bairro. Gostava de olhar os outdoors nos predios espremidos naquela descida e suas luzes de neon, eles eram estranhamente um sopro de vida no entardecer caotico e barulhento que acontecia em volta. Aquela imagem era como uma brisa fresca, um consolo pelo cansaço de um longo dia, uma recompensa por aquele momento estar sendo vivido.

E de uma forma muito especial esta imagem ainda me alimenta ate hoje, pela experiencia vivida muitas vezes ao me deparar com ela, como se estivesse dentro de mim.

Certamente quem e paulistano ou vive em Sao Paulo tem tambem a sua "foto", e mantem de alguma forma uma relaçao com ela. Vasculhe suas lembranças e compartilhe...se quiser, aqui mesmo nos comentarios...